As Nossas Previsões Para 2017

O Bom Bandido decidiu lançar uns D20 (há falta de búzios) na mesa e ver quais são a previsões para este ano que agora começou.

Bandido Tiago

Privacidade

2016 esteve carregadinho de notícias sobre invasões de privacidade e fugas de informação. Dizer que em 2017 isso também vai acontecer, não é propriamente uma previsão. Seria mais uma constatação da realidade actual. O que eu acredito que vai acontecer, mais cedo ou mais tarde, é o surgimento de alguns podres sobre o presidente eleito norte-americano.

Não é que isso vá fazer grande diferença. Talvez surjam finalmente informações sobre os impostos do sr. Donald (será que a WikiLeaks se vai redimir perante os democratas?) ou quaisquer informações sobre a vida privada dele que podem ou não ter algum interesse público.

Quando isso acontecer, o povo americano vai ficar chocado durante umas horas. Trump vai reagir com o seu temperamento típico, jogando no contra-ataque e acusando tudo e todos de tudo e mais alguma coisa. No dia a seguir o povo esquece e fica sereno.

Realidade Virtual

Os últimos anos ficaram marcados com o (res)surgimento da realidade virtual, seja através de óculos de gama alta (Oculus Rift, PlayStation VR), ou através de soluções de baixo custo como o Google Cardboard ou outros óculos fazem uso do ecrã do nosso smartphone.

Em 2017 vão continuar a aparecer cada vez mais aplicações para VR, no entanto o mercado vai fracassar ao não conseguir criar nenhuma “killer app”.

Após o lançamento da nova consola da Nintendo (Switch), que provavelmente não terá VR, a Sony vai admitir o fracasso comercial da PlayStation VR (e dos seus dildos luminosos) e a realidade virtual vai-se afundar e juntar-se ao nicho do cinema e televisões 3D.

No campo da realidade aumentada vão continuar a surgir ideias interessantes, algumas baseadas no sucesso do Pokémon Go, e essa área vai ficar com o lugar que era suposto pertencer à realidade virtual.

Ficção

Na previsão mais arriscada que faço neste artigo, vou fazer all-in: George R. R. Martin vai lançar finalmente o Winds of Winter.

Bandido João

Inteligência Artificial

Neste momento se dermos um pontapé numa pedra e esta for parar a um artigo ligado à tecnologia, o mais certo é ela bater nestas duas palavras. Para o utilizador final, o carro que não precisa de um condutor, é o produto onde existe um maior escrutínio por parte da opinião pública. Com a Tesla, Google e Uber como principais motores do desenvolvimento nesta área, tem-se notado um tremendo avanço no qual a legislação poderá ser o maior entreve. Num segundo plano, os assistentes de voz conquistaram o mercado em 2016 e 2017 será certamente um ano onde muito avanço nesta área irá decorrer. As grandes empresas estão a apostar fortemente na I.A. para tentar diferenciar os seus produtos/serviços. Ben Thompson afirma mesmo que a aposta da Amazon na Alexa é muito mais do que uma I.A. para o produto Echo mas sim um sistema operativo para a casa.

Amazon, meanwhile, doesn’t need to make a dime on Alexa, at least not directly: the vast majority of purchases are initiated at home; today that may mean creating a shopping list, but in the future it will mean ordering things for delivery, and for Prime customers the future is already here. Alexa just makes it that much easier, furthering Amazon’s goal of being the logistics provider — and tax collector — for basically everyone and everything.

No entanto, o assunto de como a I.A. vai avançar nos próximos anos será um tema que deverá ser discutido o quanto antes. O site OpenAI já deu inicio à conversa e no livro Superintelligence pode ler (ou ouvir como eu) sobre este tema – altamente recomendado.

Internet of Things

Amazon EchoGoogle HomeAirPodsSpectacles ou outros wearables foram alguns dos produtos que lançados/anunciados durante o ano anterior. Alguns dos produtos tem uma componente de I.A. mais forte – os assistentes de voz – mas noutros a mesma pode ser menosprezada, e.g – melhorar a capacidade das baterias através dos padrões de utilização.

Como estes, mais produtos devem chegar ao mercado a preços mais convidativos. SmartThings e a LG com o seu novo frigorifico na domótica ou a Athos na roupa inteligente para melhorar a desempenho desportivo.

Speaking of IoT exploits, Forrester predicts in their report issued last fall that more than 500,000 IoT devices will suffer a compromise in 2017.

– Inside Security (mailing list)

Como diria o tio Ben,

With great power comes great responsibility

Todos estes dispositivos podem ser usados contra a nossa privacidade.

Privacidade

Para treinar os modelos é necessário um conjunto de dados que podem ser colectados aos utilizadores, onde este aceitou cedê-los no meio de 50 páginas de ToS. A empresa – que até pode ter as melhores intenções – mas por descuido, desleixo ou ordem judicial, acaba a dar acesso a dados que eram privados. Cada vez mais, cada um de nós tem mais informação digital que guarda online. Parece que não existe uma semana onde aqui no Bom Bandido não se fala de mais um ataque à privacidade – normalmente governos totalitários a tentarem espiar os seus cidadãos.

Este debate no entanto não chega à praça pública e quando chega acaba logo quando é lançado o argumento “Ohhh, won’t somebody please think of the children!”.

Apesar de Benjamin Franklin se referir à liberdade, a comparação com a privacidade é idêntica.

Those who surrender freedom for security will not have, nor do they deserve, either one.

Infelizmente o caminho actual tende a pender para o lado da redução da privacidade. A poucos dias da tomada de posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos da América, a falta de privacidade – exposta pelo Edward Snowden –  poderá seguir caminhos ainda mais perigosos. Os efeitos regulatórios por parte da nova administração podem forçar as empresas tecnológicas, através dos seus produtos/serviços dessas empresas, a serem intermediários na intrusão dos dados privados do resto do mundo mas também da própria América. Esperemos que aqueles que nessas empresas trabalham sigam o exemplo de muitos que já assinaram o manifesto NeverAgain.Tech.

We are engineers, designers, business executives, and others whose jobs include managing or processing data about people. We are choosing to stand in solidarity with Muslim Americans, immigrants, and all people whose lives and livelihoods are threatened by the incoming administration’s proposed data collection policies. We refuse to build a database of people based on their Constitutionally-protected religious beliefs. We refuse to facilitate mass deportations of people the government believes to be undesirable.

Daqui a um ano voltamos a este tópico para confirmar as apostas.